quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Because I'm Happy...



Como o Clemente diz: "Vou partir p'laquela estrada", vou engrossar estatísticas, vou qual Linda de Suza com a "Valise en Carton" mas poupem-se a choros e poupem-me a mim a dramas, tretas e clichés!
Vou feliz, a rebentar de esperança, emersa em sonhos, a correr atrás de expectativas, esfomeada por novidade!



Fui despedir-me dos meus avós e tive saudades minhas, saudades da miúda que corria por ali, que fazia bolos de lama, que bebia o leite com "Nesquick" todos os dias às 6 da manhã e voltava a dormir, que adorava o "Cavalinho Pinchão" da Avó, que cresceu com as histórias do Avô, que aprendeu a defender as suas ideias com um Homem que nunca há-de envelhecer, que era simplesmente despreocupada e feliz.
Foi sem dúvida o momento mais doloroso da minha vida, se não deixei ali a minha alma por inteiro, garanto-vos de deixei pelo menos metade, ver aqueles símbolos de felicidade, ver a definição daquilo que sou a ficar ali, sem data de retorno, atirou-me às cordas mesmo antes do último round, mas ao mesmo tempo, encheu-me de tudo o que precisava, vê-los inchados de orgulho da neta, que está crescida e não precisa de ninguém para lutar por ela.
Vou-me embora, vou dar um salto de fé mas não esperem revolta, não esperem foices e archotes contra quem nos governa, não esperem que queime a constituição em praça pública, confesso sim, que tenho um texto escrito, cheio de desilusões, cheio de clichés de emigração, cheio de frustrações que tanto agradaria a todos, os que esperam que os corajosos saíam quebrados do campo de batalha, felizmente esse texto não faz sentido na minha saída, vou livre, vou feliz, vou bem, vou amparada, vou pronta!
Tenho tudo para dar tão certo em qualquer parte do Mundo, como me dei aqui, a verdade é que nunca estive mal aqui, é o meu País, sempre tive tudo, estudei e, na realidade, nunca estive desempregada, até há bem pouco tempo ter dois trabalhos era a minha realidade, sempre tive aberta e disposta a trabalhar, sempre tive prazer em fazê-lo, sei que tenho amigos, que estarão sempre entusiasmados com as minhas vitórias e prontos para me acudir em qualquer sobressalto, tenho a família mais querida a rezar por mim, mortos para me ver bem e instalada, e por fim, tenho o melhor Homem do Mundo ao meu lado, que não hesitou um segundo em mergulhar de cabeça comigo nesta aventura, que nem quis saber para onde íamos, só me disse que iria, iria onde eu fosse, um Homem que me mostra todos os dias que ainda existe gente boa, um Homem que a maior preocupação é, se se perde de mim numa cidade com o triplo da população o que faz da vida dele, um Homem que me ensinou que o Amor, daquele bom, não é o que aparece nos filmes, tem pijamas polares, tem aprender a jogar à sueca, tem barriga e cabelos a ficar brancos, tem defeitos, tem manias que nos tiram do sério, tem tampas de sanita levantadas, tem os melhores abraços, tem as gargalhadas mais longas, tem as discussões mais acesas, tem choros, tem ressonar, tem conversas até ser dia, tem silêncio confortável, tem a melhor conchinha e os pés mais quentes, tem os melhores beijos de bom dia, mas aprendi principalmente, que Amor, daquele bom, tenho eu porque o tenho a ele, de malas aviadas para qualquer canto do Mundo mas sempre comigo.
Falta despedir-me de mais gente, falta dizer tanta coisa, faltará sempre, só não me falta ser feliz que isso foi o que escolhi! 

1 comentário:

  1. Desejo-te toda a sorte do mundo e que corra tudo bem. Estás a fazer o que eu e muitos mais querem fazer, mas por umas ou outras razões não podem ou não conseguem. Muita felicidade!
    Beijinhos*

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