sábado, 25 de agosto de 2012

And You?



Hoje vamos falar a sério, mesmo muito a sério...
Há uma crónica da Margarida Rebelo Pinto, num dos mais conceituados semanários portugueses, onde a senhora expõe o seu problemas com as mulheres, a que a mesma chama "gordinhas", passo a mostrar...

"Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas."

Margarida Rebelo Pinto, in Semanário Sol 

Apraz-me perguntar se há alguma alminha naquela redacção que leia previamente uma trampa destas, e que mesmo assim a deixe publicar, gostava também de saber se há alguma mulher neste mundo que concorde com estas ideias absurdas, e por fim, adoraria saber como e que esta mulher se atreve a escrever tal coisa, sem medo de ser perseguida por uma multidão de gente de foices e archotes em riste!
Eu durante a minha vida fui tanta coisa, transformei-me tantas vezes, comecei por ser a lingrinhas que não engordava nem por mais um, para anos depois passar a viver com algum excesso de peso, ao mesmo tempo usava óculos, tinha borbulhas, cabelo à rapazinho, mas SOBREVIVI, sempre tive amigos, não muitos mas bons, sempre tive uma vida e principalmente sempre fui uma senhora, nunca me transformei no ser híbrido que a bendita mulherzinha descreve!
A verdade é que 4 anos depois de dar a volta aos meus quilinhos a mais, sou exactamente a mesma pessoa que era quando as calças eram o 40, sinto-me melhor claro, mas sinto-me pessoalmente melhor porque não o fiz por ninguém a não ser por mim, e o que é certo, é que tenho as mesmas pessoas na minha vida que tinha quando estava mais pesada e tratam-me exactamente da mesma forma!
A beleza não depende do peso, eu posso preferir ser magra (para algumas pessoas em demasia, actualmente) mas conheço e tenho muitas amigas mais redondinhas que são lindas de morrer, que têm namorados, e relações saudáveis, e que pelo o que se diz, e se sabe, a dita chuchuzinha escritora não tem; a beleza depende sim da felicidade, da liberdade, das metas, do sentido de humor e principalmente da maneira como vivemos connosco! 
Só para terminar e usando uma frase que a fofinha usa «Never too rich, never too slim», acho que os pais e os amigos da modelo da fotografia não concordam, e vocês The Blog Babes? 

1 comentário:

  1. O comentário dessa senhora, se é que poderemos chama.la de senhora, não passa de alguma pequena ou mesmo até grande frustração...não sei digo eu, é a minha opinião. O que ela escreveu não é justo para magras ou gordas, aliás, não há sequer nexo nenhum nesta crónica a não ser a repugnância que a dita cuja deve ter por pessoas com quilinhos a mais. Eu a esta ave rara chamar-lhe-ia de inumeras coisas. Não há sequer comentário possível para uma tristeza destas. Pena e tristeza é o que sinto por gente como ela. O pior é que deixou publicar tal coisa... Magras ou gordas são iguais,, o que conta é o interior da pessoa, é a sua personalidade.
    Finalizando,concordo com tudo o que escreveste Catarina e na minha opinião isto não deveria ficar impune

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