domingo, 13 de maio de 2012

Só Histórias... Só Histórias



Píramo e Tisbe desejavam casar, mas os seus pais não o permitiam.

Estes jovens moravam em casas vizinhas, separadas por uma parede. Nessa parede havia uma fresta onde os apaixonados trocavam palavras de amor. Uma noite encontraram-se e decidiram que a única alternativa para ficarem juntos era fugir de casa, combinaram então encontrar-se no túmulo de Nino, fora dos limites da cidade, ao pé de uma amoreira branca e de uma fonte.

Tisbe foi a primeira mas uma leoa chegou com a boca ensanguentada querendo beber da fonte, então Tisbe correu e escondeu-se numa gruta, deixando cair por terra o véu que trazia, a leoa viu-o e rasgou-o com os dentes ensanguentados.

Quando Píramo chegou e não encontrou a sua amada, viu as pegadas do felino e o véu de Tisbe todo rasgado e ensanguentado, desesperou pensando que o pior tinha acontecido e decidiu pôr termo à sua vida, que não fazia sentido sem ela, desembainhou a espada e espetou-a no coração.

Quando Tisbe regressou encontrou o seu amado morto, e quando percebeu o que tinha sucedido, decidiu morrer com ele.
Segundo a mitologia, foi por causa do sangue derramado aos pés da amoreira e da comoção que todo este quadro causou aos deuses que as amoras são vermelhas.
Ovídio, escritor das Metamorfoses, era só histórias, lamento mas este homem tem culpa de muita coisa! Este homem no mínimo devia levar umas arruchadas se alguém tivesse a felicidade de poder voltar atrás.
Qual Píramo! Qual Romeu! Onde é que eles estão? Onde estão as serenatas? Onde estão as cartas? Onde estão as declarações ?
Onde estão agora frases como estas:
“Anjo, acabo de saber que há correio todos os dias. Tem calma, ama-me – hoje – ontem. Que saudades em lágrimas por ti. Tu, a minha vida, meu tudo, até breve. Oh, ama-me sempre, nunca duvides do meu coração fidelíssimo. Do teu amado. "
Ludwing Van Beethoven, 1770-1827, carta nunca enviada para a sua amada imortal, de identidade nunca determinada.

“Meu querido Bebezinho: Não te admires de certo laconismo nas minhas cartas. As cartas são para as pessoas a quem não interessa mais falar: para essas escrevo de boa vontade. A minha mãe, por exemplo, nunca escrevi de boa vontade, exactamente porque gosto muito dela. Quero que sintas isto, que saibas que eu sinto e penso assim a este respeito, para não me achares seco, frio, indiferente. Eu não o sou, meu Bebezinho, minha almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos (que grande disparate!) Mando um meiguinho chinês. E adeus até amanhã, meu anjo. Um quarteirão de milhares de beijos do teu, sempre teu. Fernando. "
Fernando Pessoa, 1888-1935, para Ofélia Queiroz

“Não vais acreditar na saudade que me possui. A razão principal é o meu amor e o facto de não me habituar a estarmos tão longe um do outro. (…) Os meus passos levam-me, verdade seja dita, ao teu quarto, mas não te encontrando aí, regresso de coração triste e desconsolado, qual amante rejeitado. Pensa tu o que tem sido a minha vida, quando só encontro o meu repouso na labuta, e o meu consolo no infortúnio e na angústia. Adeus.”
De Plínio, o Novo, 61 D.C. – 112 D.C, para Calpurnia, sua mulher

Ever Thine, Ever Mine, Ever Ours
Mr. Big para Carrie

Porque é que agora é tão difícil? Porque é que agora nos temos de contentar com o mediano? Com as mensagens rápidas e secas, com os momentos rápidos e sem grande memoria…
Eu quero serenatas, cartas, momentos que durem para sempre! 

1 comentário: